Ex-conselheiro do Botafogo, Bernardo Santoro criticou a aprovação do Conselho Consultivo, por unanimidade, da GDA Luma para assumir o controle da SAF, nesta segunda, 1. Em vídeo nas redes sociais, o advogado disse odiar John Textor, mas apontou a GDA como uma ‘armadilha’ de Carlos Augusto Montenegro ao Botafogo.
— Fui o maior opositor de John Textor dentro do Conselho Deliberativo do Botafogo, e tenho um novo recado para os sócios e a torcida do Botafogo: a GDA não serve para o nosso clube. Ninguém odeia Textor mais do que eu. Fui processado criminalmente por calúnia simplesmente por exercer o meu dever de fiscalização como conselheiro do Botafogo e impedir a SAF de fazer uma contratação de 42 milhões de reais para limpar o teto do Nilton Santos – iniciou Santoro.
— E nessa posição digo para vocês, observe o nível de mau-caratismo dessa empresa GDA: ela entra pelo Botafogo pelas mãos do Textor, se permite ser usada pelo mesmo para fazer um empréstimo de 25 milhões de dólares, que vira uma dívida de 50 milhões meses depois, para que Textor possa diluir a participação da ARES, de quem Textor pegou 500 milhões de dólares dando o Botafogo como garantia, com a conivência do Durcesio e do conselho do Botafogo, para, no fim, dar um golpe na Ares. Isso é uma empresa séria? – indaga.

— Depois, vendo que o Textor estava em posição política e jurídica fraca, trai o Textor e se junta ao Montenegro para tomar o Botafogo do próprio Textor, que garantiu aquele contrato leonino contra o Botafogo. E isso é uma empresa séria?
Muitos botafoguenses estão tão ansiosos pelo fim da ‘era Textor’ que estão deixando de responder a essa pergunta, mas eu respondo: a GDA não é uma empresa séria. Assim como em 2023 eu avisei no CD que Textor era processado por fraude em um tribunal da Flórida e era um alavancado que não botava dinheiro próprio em nada; fui eu quem descobriu e denunciei no CD que o Botafogo foi posto como garantia no empréstimo da Ares. E agora eu falo: a GDA é mais uma armadilha do senhor Montenegro ao Botafogo.
— O Botafogo não pode trocar a fé cega em Textor — na época trazido e abençoado pelo Montenegro — pela fé cega em um grupo que foi trazido pelo Textor, trai ele, e é abençoado pelo mesmo Montenegro. A solução para o Botafogo não passa pelo grupo do Montenegro e suas soluções que sempre explodem o clube no longo prazo. E esse é só mais um exemplo.
— Sou Bernardo Santoro, ex-conselheiro do clube e ex-VP de Finanças que reduziu em 125 milhões de reais a dívida do Botafogo Social, e um eterno botafoguense apaixonado – concluiu.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.





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