Afastado da SAF Botafogo desde abril, John Textor quer voltar a ter controle da empresa. De acordo com o jornalista Bernardo Gentile, o estadunidense inclusive enviou um e-mail ao presidente do Social, João Paulo Magalhães, além de Durcesio Mello, numa clara tentativa de evitar a venda da SAF a outro controlador — a GDA Luma é a favorita.
– Eu tenho aqui acesso a um e-mail que está rolando desde o dia 29, que foi o que gerou tudo isso. Foi quando ele, Textor, falou com os advogados e explicou para o Botafogo toda a situação. Que ele é dono dos 90% da Eagle etc. Tudo isso aconteceu nesse e-mail. Nesse mesmo e-mail, tem um trecho aqui que eu vou ler para vocês, que vai falar justamente sobre essa questão do vídeo. E aqui deixa claro, pelo Textor, que foi um pedido do social para que ele fizesse isso.
“Vou preparar o vídeo que você me pediu, já que eu sempre gosto de ter oportunidade de me comunicar com o clube social e com os nossos torcedores. Mas não tolerarei a negociação das minhas ações com um homem que eu apresentei”. No caso, o Gabriel de Alba, da GDA. “E que fortaleceu sua posição por meio de enganos”. Tipo, situações, manobras, vamos dizer assim. “Aliás, não posso tolerar as negociações das minhas ações com ninguém sem meu envolvimento amigável e meu consentimento”. Aí ele termina aqui, que aliás você pode tirar a conclusão. “Quero o melhor para o Botafogo, mas minha história no Botafogo não deveria terminar agora. Assim como conduzi o clube durante 2023, não vou parar de lutar pelo Botafogo até atravessarmos esse episódio e sermos campeões novamente” – escreveu John Textor.
– Isso aqui é uma mensagem que o Textor mandou para João Paulo e Durcesio. Um e-mail que foi direcionado para eles no dia 29 de maio, tá? Não tem nada a ver comigo, eu só estou relatando. Não matem o mensageiro, beleza? Pelo amor de Deus, me tirem de confusão. Só estou fazendo aqui um trabalho de jornalismo, mostrando o que foi dito, tá? Então, agora surgiu essa informação de que o Textor pediu para enviar um vídeo para o social, mas aqui nesse e-mail do dia 29 mostra até que é o contrário, que foi o próprio social que pediu para o Textor mostrar, gravar um vídeo para ele mesmo falar – continuou.
Segundo o jornalista, a tese de John Textor não deve prosperar.
– Consultei alguns advogados sobre essa tese do Textor e muitos dizem que essa tese jurídica dele é muito fraca, assim, sabe? Ele diz que só uma decisão corrupta poderia tirar o que é dele de direito. Mas outras pessoas já discordam. E aí o Textor sempre tem essa narrativa a favor dele, né? Sempre tem esse negócio. Tem muita gente aqui que acha, por exemplo, que isso não vai dar em nada. Muita gente mesmo. Então vamos ver os próximos passos. Acho que a tendência, e é o que o Botafogo quer, é que seja, com todo respeito, tratorada essa situação do Textor, analisada, respeitada, mas não vai dar em nada. E aí o Botafogo fica livre pra fechar com a GDA. Tomara que seja isso mesmo – completou.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.
O processo ainda está em andamento. Depende de decisões judiciais, assembleias e negociação entre sócios.





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