Afastado da SAF Botafogo desde abril, John Textor está próximo de perder de vez o controle para a GDA Luma Capital — aprovada por unanimidade pelo Conselho Consultivo nesta segunda, 1. Segundo o jornalista Bernardo Gentile, o estadunidense, inconformado, ameaçou processar o Alvinegro por 10 anos caso não seja consultado para qualquer novo passo na SAF.
– Ontem ele tentou impor essa narrativa, continuou falando “sou dono de 90%, tenho provas, a justiça vai fazer isso”. Disse que já esteve em situação pior do que essa em 2023 e recuperou. Eu falei que torço para o melhor para o Botafogo. Eu torço por quem vai deixar um caminho mais saudável, mais seguro, né? Um projeto financeiramente sustentável.
– Quando eu falei da questão de ser uma proposta que deixe o clube mais estável, aí ele falou assim, “você está enganado, o clube não vai ter estabilidade nenhuma. Porque, por exemplo, eu vou processar o Botafogo pelos próximos dez anos. Se o Botafogo tomar uma decisão em que eu não seja consultado, ou eu dê aval, ou eu faça a parte. Se passarem por cima de mim, eu vou processar pelos próximos dez anos quem tiver tomado essa decisão. Eu vou tentar recuperar o clube que é meu por direito”. Que, na opinião dele, ele fala isso.
– Então, isso tudo aqui é informação de como um lado que diz ter ainda as coisas vai reagir em caso de derrota, que é o que parece que vai acontecer, pelo que a gente está escutando. É uma situação muito ruim. No texto, no vídeo, ele fala ainda em família, ele fala ainda em tentar todo mundo junto, que não é hora de briga, mas, ao mesmo tempo, ele está pronto para briga – declarou Bernardo Gentile.

Transfer bans
– O que ele fala nos bastidores sobre a questão do transfer ban é que aí ele volta lá no início, no empréstimo. Porque aí para ele, está acusando o social de fazer com ele o que a Ares fez com o social, que foi asfixiar financeiramente para o cara parecer muito pior e dar a pernada. De certa forma, nesse ponto, ele tem razão. O social realmente fez isso, tinha a proposta do Textor, só que o social não asfixiou porque queria o mal do Botafogo.
– O social asfixiou porque queria tirar o Textor por qualquer custo. E aí, com isso, pode ter até tido algumas consequências ruins para o clube, no sentido de, pô, não entrou dinheiro, caiu no transfer ban, piorou a situação etc. E aí, com isso, o que o Textor fala é o seguinte: se tivesse aceitado o dinheiro lá no início, hoje a GDA era sócio-minoritária, tinha entrado, estava com as ações. Ao mesmo tempo, teria pago os transfer bans, teria entrado e tal, e não precisaria, segundo ele, nem da recuperação judicial. E ele realmente acredita nisso e eu discordo veemente disso. O Botafogo já precisa da recuperação judicial há muito tempo – concluiu.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.





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