Com a GDA Luma encaminhada para assumir a SAF Botafogo, o Social se movimenta nos bastidores para garantir um pedaço da fatia do primeiro aporte da empresa. Segundo o jornalista Bernardo Gentile, a intenção é manter o social ativo, com os esportes olímpicos, ao contrário do que ocorreu durante a gestão de John Textor.
– Nesse dinheiro que vai entrar da GDA, no dinheiro que vai fazer com o Lyon, tem tentativa do clube social de trazer dinheiro para o Botafogo, mas não só para o Botafogo futebol. É de pegar esse dinheiro e usar no clube social também., porque ele não fecha a conta. Quando era o Textor aqui, o dinheiro era só para o Botafogo futebol mesmo, porque era isso. O social se virava lá, porque tinha que se virar. E não conseguiu se virar, inclusive. Fechou um monte de esporte, projetos que estavam indo bem tiveram que fechar e tal – iniciou.
A SAF do Botafogo aguarda um aporte de R$ 130 milhões da GDA Luma na próxima semana, parte de um total de US$ 80 milhões destinados ao clube. Esse investimento é crucial para lidar com problemas financeiros, incluindo transfer bans ativos na Fifa
– Então, agora, com o clube social voltando ao poder, já há a tentativa de novo de inserir o clube social e os esportes amadores também no orçamento do futebol. E aí você pode concordar ou discordar disso, porque eu sei que muita gente diverge nesse assunto. Estou falando de informação. Existe a tentativa de parte desse dinheiro entrar também para o clube social. Então, olha como é que é uma diferença. Já tem o social fazendo parte da gestão, eles já estão tentando botar o clube social também dentro da folha do Botafogo, do futebol. As coisas já voltam a ficar diferentes. Começa a misturar o perfil nas redes sociais, postar junto com o do Botafogo. As coisas estão ali – disse Bernardo Gentile.

– São cenários, entendeu? Cenários. A gente está jogando a luz justamente para isso. Quando eu joguei a luz num cenário lá atrás, que era do social tentar não fechar com a GDA para fazer outra coisa, ali também era um cenário. Na minha opinião, ainda bem que não se concretizou. Não queria ver o social capitalizado e não tendo nenhum investidor participando diretamente. Ou seja, o clube social de volta ao poder. Inclusive, não sou eu que discordo disso, né? Outro grupo do próprio clube social discordava que esse grupo tinha que assumir. E jogou a luz no assunto, e a gente jogou a luz no assunto junto. Então, jogar a luz é importante. É só isso que eu estou querendo fazer aqui. Não é criar caos, nada. É só mostrar as possibilidades para todo mundo ter opinião pública. A torcida do Botafogo volta a ser muito importante – ponderou.
Tensão por influência na SAF
– Nesse momento não dá para ter certeza de nada, se vai ter alguma influência. Pessoas dentro clube estão tentando entender qual vai ser o cenário. Por que que está nítido que o Botafogo não quer o poder? De onde você tiraram isso? Porque esse debate existe no Botafogo, existe em quem lidera a SAF do Botafogo. Todo mundo está pensando e está com medo disso. Existe essa tensão no ar para saber. Você vai no pessoal do futebol “e aí, pra onde vai? A gente vai ter poder de decisão 100%? E se eles quiserem tal jogador e forçarem a barra, a gente vai poder dizer não?” “Ah, na SAF eles querem botar tal coisa aqui, a gente vai poder dizer não?” Está todo mundo sentindo isso, está rolando isso – destacou.
– Quando está tudo escuro, assim, ninguém está vendo o que você está fazendo, a atitude de certas pessoas é diferente de quando se joga a luz em cima. Então, jogar a luz em cima é importante. Eu vou continuar fazendo isso. Teve muita gente séria do social que discordava da possibilidade do social não fechar com a GDA e assumir com o investimento, que ficou com medo, em algum momento, disso acontecer, porque em determinado momento estavam, sim, falando em fazer isso.
– “Vamos ver se vai ser aceita essa ideia aqui”. Quando não foi bem aceita, “não, era só brincadeira, a gente não ia fazer isso, não”. Nosso papel aqui também é jogar a luz onde existe a possibilidade de acontecer, mesmo que não aconteça. Se eu estou botando a luz nesse assunto, é porque existe esse medo lá e, para o bem do Botafogo, esse assunto deve ser debatido – concluiu.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.






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