O empréstimo de US$ 25 milhões (cerca de R$ 129 milhões) concedido pela GDA Luma ao Botafogo, em fevereiro de 2026, teve parte dos recursos direcionada para uma empresa controlada por John Textor nos Estados Unidos. A informação é do UOL nesta terça, 9.
De acordo com a reportagem, nem todo o montante chegou diretamente aos cofres da SAF alvinegra. Um dos repasses identificados foi destinado à SAF Botafogo USA Inc, empresa ligada ao ex-controlador do Glorioso.
Segundo o levantamento, um depósito de US$ 886 mil — aproximadamente R$ 4,6 milhões na cotação atual — foi realizado para a companhia norte-americana.
Empresa é controlada por John Textor
A SAF Botafogo USA Inc tem como controlador John Textor, empresário que segue travando disputas judiciais relacionadas ao controle da SAF do Botafogo.
A movimentação financeira chamou a atenção de integrantes do clube associativo, que atualmente buscam esclarecer operações realizadas durante a gestão anterior e encontrar soluções para a delicada situação financeira da SAF.
Vale lembrar que o empréstimo da GDA Luma foi firmado ainda quando Textor estava à frente da estrutura de controle do futebol alvinegro. Posteriormente, o fundo liderado pelo empresário mexicano Gabriel de Alba tornou-se credor relevante da SAF e avançou para assumir o controle da operação.
Textor não comentou o repasse
Procurado pelo UOL para explicar o motivo da transferência dos recursos para a empresa sediada nos Estados Unidos, John Textor optou por não se manifestar.
A operação ocorre em meio às negociações para a conclusão da venda da SAF do Botafogo à GDA Luma, processo que depende dos acertos finais entre o clube, a Eagle/Ares e o Lyon sobre valores pendentes entre as partes.
Enquanto isso, o Alvinegro segue enfrentando dificuldades financeiras, acumula seis transfer bans na Fifa e aguarda os próximos desdobramentos da recuperação judicial da SAF.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










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