Ex-controlador da SAF do Botafogo, John Textor notificou formalmente o presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, e o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro. A informação foi divulgada pelo Canal do Manel nesta quinta, 11.
De acordo com a publicação, o empresário norte-americano acionou seus advogados alegando que ambos teriam divulgado “inverdades” em entrevistas recentes ao comentarem sua passagem pela gestão do Botafogo e os acontecimentos envolvendo a SAF.
O movimento ocorre em meio ao aumento da tensão entre Textor e integrantes do clube associativo, num momento em que o futuro societário do Glorioso segue no centro das discussões.
Troca de acusações
Nas últimas semanas, a disputa envolvendo o controle da SAF ganhou novos capítulos, com declarações públicas de diferentes personagens ligados ao Botafogo.
Textor tem sustentado que continua sendo o proprietário dos 90% das ações da SAF, enquanto o clube social, a Eagle/Ares e a GDA Luma trabalham para concluir a transferência do controle acionário.
Do outro lado, João Paulo Magalhães Lins vem rebatendo publicamente as alegações do empresário norte-americano e defendendo a legalidade das negociações em andamento.
Montenegro aumentou o tom das críticas
Embora não ocupe atualmente cargo oficial na estrutura administrativa do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro também tem participado ativamente do debate público.
Nos últimos dias, o ex-presidente elevou o tom das críticas direcionadas a Textor, fazendo declarações contundentes sobre a gestão do empresário e os problemas financeiros enfrentados pela SAF.
Agora, com as notificações encaminhadas pelos advogados de Textor, a disputa ganha mais um componente jurídico, paralelamente às ações que já tramitam no Brasil e nos Estados Unidos envolvendo a propriedade das ações da SAF alvinegra.
O caso deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas, enquanto seguem as negociações para a conclusão da venda do controle da SAF para a GDA Luma.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.











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