Uma informação divulgada inicialmente na última quinta, 11, sobre uma decisão envolvendo John Textor e a SAF do Botafogo foi retificada nesta sexta, 12. O processo extinto pelo juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, da Justiça do Rio de Janeiro, não tratava do reconhecimento do empresário como dono de 90% das ações da SAF, mas sim da validade do procedimento arbitral conduzido pela FGV.
A informação preliminar havia sido publicada pelo Canal do Manel e repercutida pelo GE, mas posteriormente foi corrigida após esclarecimento da defesa do empresário norte-americano.
Segundo os advogados de Textor, a ação questiona a legalidade do Procedimento Arbitral 16/2025 da FGV, responsável por decisões que culminaram em seu afastamento do comando da SAF do Botafogo, em abril.
— O que se discute é a validade do Procedimento Arbitral 16/2025 da FGV, sem qualquer conexão com alegações de propriedade acionária da SAF — explicaram os advogados de John Textor, em nota enviada ao Canal do Manel.
A defesa sustenta que o empresário sofreu efeitos diretos das decisões tomadas no procedimento arbitral, mesmo sem integrar formalmente o processo.
— Embora John Textor não seja parte formal do procedimento arbitral, as decisões nele proferidas produziram efeitos diretos em sua esfera jurídica, incluindo sua destituição do cargo de administrador da SAF — acrescentaram.
Arbitral da FGV afastou Textor da gestão da SAF
O Tribunal Arbitral da FGV foi o órgão que determinou o afastamento de Textor da administração da SAF alvinegra no mês de abril, em meio ao agravamento da crise societária envolvendo Eagle Football, Ares, clube associativo e credores.
Desde então, o empresário norte-americano passou a contestar judicialmente diferentes decisões relacionadas ao processo, ao mesmo tempo em que mantém a tese de que continua sendo o legítimo proprietário dos 90% das ações da SAF.
No entanto, de acordo com o esclarecimento divulgado nesta sexta, a ação extinta pela Justiça fluminense não discutia diretamente essa questão societária.
Defesa confirma que vai recorrer
Os advogados de Textor afirmaram que a decisão da última quinta não analisou o mérito das alegações apresentadas e garantiram que irão recorrer.
— Serão interpostos os recursos cabíveis, de forma tempestiva, para que a matéria seja devidamente reavaliada pelas instâncias competentes — informou a defesa.
A disputa jurídica envolvendo a SAF do Botafogo segue em diferentes frentes. Enquanto isso, o clube trabalha para concluir a transferência do controle acionário para a GDA Luma, que negocia a aquisição dos 90% das ações diretamente com a Eagle/Ares.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.











Comentários