Análise: A Fantástica Fábrica de Incompetência do Botafogo

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Botafogo Mufarrej
Foto: Vítor Silva / Botafogo

Cobertos de razão, funcionários do Botafogo gritaram por socorro através de uma nota oficial nesta quinta, 30. Os profissionais estão há quase quatro meses sem receber. No último pagamento, a diretoria do Clube teve a desfaçatez de, apesar de acertar março, repassar apenas 12% do vencimento de abril. Doze.

Se considerarmos o valor do salário mínimo, a porcentagem paga pelo Botafogo aos funcionários representa irrisórios R$ 148,56. Vale dizer: profissionais estes com aluguéis atrasados, mergulhados em dívidas e eventualmente sem ter o que comer.

Não bastasse tamanha covardia, o presidente Nelson Mufarrej, pressionado pela ampla divulgação do manifesto dos funcionários do Botafogo, resolveu se posicionar aos colaboradores. Algo, aliás, que não faz pessoalmente aos seus. A única satisfação que estes tiveram sobre a caótica situação salarial foi por meio da inacreditável nota do mandatário do Alvinegro.

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Nela, Mufarrej diz que busca soluções, justifica — ainda que tente negar — a dificuldade pelas penhoras, dívidas e dificuldades do mercado publicitário e garante empenho.

Não bastasse isso, para piorar, na mesma nota, o presidente do Botafogo revela o pagamento de um mês de salários dos atletas profissionais. Tudo isso no mesmo dia do socorro dos funcionários!

Jogadores são profissionais tanto quanto os funcionários do Clube. Não deve haver distinção. Aliás, em que ambiente é possível o convívio harmônico entre profissionais que recebem e outros não?

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O mundo ideal pressupõe todos os trabalhadores com salários em dia. Na impossibilidade de realizar tal cenário, porém, é inaceitável a distinção. Se há verba disponível para um setor somente, que se aguarde a obtenção de novo montante para que todos recebam no mesmo dia. Desta forma, o ambiente tende a ser menos tóxico. Afinal, por que uns podem esperar e outros não?

Além disso, como sabe qualquer profissional cujo salário já atrasou, mais do que o atraso em si, a não satisfação do empregador é ainda mais revoltante. É preciso ir além das notas — covardes e frias. Encare e respeite, de fato, seus subordinados indistinta e pessoalmente, Mufarrej. Todos merecem.

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Foto: Vítor Silva / Botafogo

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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