Afundado em dívidas, o Botafogo protocolou um pedido de recuperação judicial na última quarta, 22. A medida é vista como uma tentativa de reorganizar o cenário financeiro em meio à crise que atinge o Alvinegro nos bastidores. Com o processo, o clube busca proteger suas operações enquanto negocia dívidas com credores.
Para o Gonçalves, zagueiro campeão brasileiro pelo Botafogo em 1995, a decisão é uma covaria com os funcionários que estão há anos esperando para receber.
— Estava na cara que ia acontecer. Eu acho que desde que o John Textor decidiu comprar o Botafogo, ele já sabia que ele poderia usar essa lei no Brasil. E por isso ele saiu gastando dinheiro para reforçar o time, conquistar os títulos, que era o que nós queríamos. Claro, mas quando a gente para para pensar com a lógica, como o empresário vai investir milhões para depois não tirar, não ter o retorno. E também aumentar ainda mais a dívida propositalmente, sabendo que um dia ele vai ter que pagar. Então ele fez tudo, logicamente, de caso pensado. Ele investiu, contratou os jogadores, conquistou os títulos. Tivemos o melhor ano da história e a gente tem que ser grato a ele eternamente – começou Gonçalves.
— Mas, olha, vou falar uma coisa para vocês. É uma covardia a recuperação judicial com os funcionários que estão há anos, mais de 10 anos, esperando para receber. E agora com a recuperação judicial eles vão ter que abrir mão de 70% desse valor. Muitos estão há décadas fazendo planos para quando recebesse esse dinheiro. E a recuperação judicial vem para arrebentar com aqueles funcionários que trabalharam anos e anos, ficaram sem receber e tiveram que ir para uma fila na justiça para poder receber. Estão há dez, 15 anos nessa fila e na hora de receber o valor que aumentou com juros e correção monetária esses anos todos, simplesmente, eles vão ter que abrir mão de 70% – reclamou.
– Eu estou falando isso porque é realmente frustrante. Eu passei por isso no Avaí, meu último trabalho como executivo de futebol. Levei dez anos, iria receber esse ano o valor e saiu a recuperação judicial do Avaí. Eu tive que abrir mão de 70% e ainda vou ter que esperar dois anos para começar a receber esses 30% parcelados em dez vezes. E é isso que vai acontecer com os funcionários do Botafogo que estão nessa fila há anos, que tiveram que pedir empréstimo, usar cartão de crédito quando não saía o salário, quando ficaram sem receber, igual a mim também. Tive que usar cartão de crédito, pagar juros altíssimos, tive que pegar empréstimo no banco, porque você trabalha, você tem que receber para poder arcar com suas despesas. E o clube simplesmente não paga, manda você depois para a justiça, você fica anos para receber e na hora de receber tem que abrir mão de 70%. É uma covardia, gente. Mas eu tenho certeza que o John Textor já sabia de tudo isso e a recuperação judicial seria inevitável. E é uma covardia, eu volto a falar aqui, com os funcionários, ex-jogadores, ex-profissionais que trabalharam no clube, que não receberam e que estavam esperando receber o valor corrigido com juros e mora. É isso, esse é o futebol brasileiro. É lamentável, é triste, sem palavras – disparou.
Afastamento de Textor
Nesta quinta, 23, o Tribunal Arbitral da FGV determino o afastamento de John Textor do comando da SAF Botafogo.
Em nota publicada na madruga desta sexta, 24, a SAF contestou a decisão da Arbitral da FGV que afastou Textor e prometeu recorrer. A medida ainda será reavaliada na próxima quarta-feira, 29, quando as partes envolvidas vão se manifestar.
Sem John Textor no comando, a SAF anunciou o ex-presidente Durcesio Mello como diretor geral interino.







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