O Botafogo realizou, na manhã desta sexta, 5, uma reunião considerada estratégica com representantes do Lyon para discutir os impasses financeiros existentes entre os clubes. A informação foi divulgada pelo influenciador Thiago Franklin, do Canal do TF.
- Clube busca acordo para evitar disputa judicial prolongada
- Honorários jurídicos preocupam dirigentes
- GDA acompanha negociações à distância
- Quem é a GDA Luma?
- Como a GDA Luma atua
- Gabriel de Alba
- Quais empresas a GDA já recuperou?
- Relação com o Botafogo
- Por que o fundo aparece como favorito
- O que pode mudar no Botafogo
Participaram do encontro o presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, o diretor-geral da SAF, Eduardo Iglesias, a presidente do Lyon, Michele Kang, além do CEO do clube francês.
Apesar de ainda não haver um acordo definitivo, o andamento das conversas foi tratado de forma positiva pelas partes envolvidas.
— O Botafogo demonstrou disposição para construir uma solução negociada com o clube francês, inclusive aceitando discutir um modelo de pagamento a longo prazo. A expectativa é que as conversas avancem nos próximos dias em busca de uma resolução definitiva. Neste momento, a decisão está nas mãos de Michele Kang — escreveu Thiago Franklin.
Clube busca acordo para evitar disputa judicial prolongada
Segundo a apuração, Botafogo e Lyon trabalham para encontrar uma solução consensual sobre os valores que deverão ser reembolsados ao Alvinegro.
A intenção dos envolvidos é evitar que a divergência comercial evolua para uma disputa judicial longa e desgastante para ambas as instituições.
De acordo com Thiago Franklin, existe um entendimento de que o cenário atual tem gerado custos elevados para todos os lados. O Botafogo, por exemplo, vem arcando com despesas relevantes relacionadas a processos judiciais em diferentes frentes.
Honorários jurídicos preocupam dirigentes
Conforme revelado pelo jornalista, o clube tem desembolsado valores expressivos com honorários advocatícios tanto no Brasil quanto no exterior.
Nos bastidores, a avaliação é de que a continuidade das disputas judiciais representa um caminho pouco produtivo e financeiramente desgastante.
Por isso, a prioridade neste momento é construir um acordo que preserve a relação institucional entre os clubes.
A busca é por uma solução que permita resolver as pendências sem transformar uma divergência comercial em um conflito permanente entre Botafogo e Lyon.
GDA acompanha negociações à distância
O empresário Gabriel de Alba, principal nome da GDA Luma, não participou da reunião. No entanto, segundo a apuração, ele recebeu atualizações constantes sobre o andamento das conversas por parte do presidente João Paulo Magalhães Lins.
A definição desse impasse é considerada importante para a sequência do processo de aquisição da SAF alvinegra pela GDA.
Caso a operação não seja concluída em curto prazo, o Botafogo já trabalha com alternativas para manter seus compromissos financeiros em dia.
Segundo Thiago Franklin, o clube poderá buscar uma linha de crédito para cumprir obrigações com jogadores e também compromissos fiscais enquanto aguarda a entrada do novo investidor.
As conversas entre Botafogo e Lyon devem prosseguir nos próximos dias. A expectativa nos bastidores é de que uma definição sobre os valores envolvidos e os próximos passos da SAF aconteça ainda durante a paralisação do calendário para a Copa do Mundo.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.










Comentários