Somália revela assédio de rival e bastidores do título do Botafogo em 2010

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Somália Botafogo
Foto: Wagner Meier / Fotoarena

Peça fundamental no título estadual do Botafogo em 2010, Somália em campo era o famoso coringa. Volante de origem, sob o comando de Joel Santana, o jogador atuou em quase todas as posições. As exibições seguras em diversas funções naquela temporada renderam o assédio do rival Fluminense, segundo revelou Somália em live com o jornalista Fabiano Bandeira.

— Naquele ano (2010) muitos jogadores tinham propostas melhores para deixar o Clube. O Fluminense, inclusive, me ofereceu três vezes mais e eu estava vendendo o almoço para comer a janta ainda. Não estava estabilizado financeiramente. Mas o Anderson (Barros, gerente de futebol) sabia que eu tinha caráter, palavra e eu tinha dito para ele que renovaria com o Botafogo. E foi o que fiz por gratidão ao Clube, ao Anderson, Joel Santana, Estevam Soares, o presidente.

Nem todos torcedores lembram, mas o volante revelado pelo Olímpia-SP, foi responsável por uma defesa na final do Estadual de 2010, contra o Flamengo. Com o Botafogo à frente do placar (2 a 1), Somália evitou o que seria o gol de empate do rubro-negro, aos 43 do segundo tempo. O zagueiro Rodrigo Alvim pegou um rebote e chutou com Jefferson já batido. Quase em cima da linha, Somália evitou o gol. Poucos minutos depois, o jogo foi encerrado e o Botafogo voltou a conquistar o estadual após três anos consecutivos de vice-campeonato.

— O gol mais bonito que eu fiz na minha carreira foi a “defesa” em 2010. Eu vejo aquele lance, eu sinto a mesma emoção, como se eu tivesse lá na hora. Esses dias assisti a reprise com a minha esposa, minha filha. A sensação é de felicidade por ajudar, pouco, mas ajudar – disse.

Confira os principais trechos da entrevista:

Relação com Botafogo

— Um clube que mudou a minha vida. Tenho um amor muito grande. Torço sempre que consiga o melhor.

Chegada ao Botafogo

— Estava no Bragantino em 2009 e fui para o América-RN. Fui bem, fiz gols importantes, inclusive contra o Vasco. Na época, o técnico Dorival Junior (do Vasco) se interresou, começamos a negociar. Mas recebi a ligação do Estevam Soares (técnico do Botafogo), acabou me seduzindo. Aí fui conhecer melhor a história desse Clube, então não teve jeito. Na época, não era uma questão de dinheiro, mas sim de se firmar. Lembro os elencos na época, o Fluminense estava bem forte. O Vasco estava na Série B, mas estava forte também.

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Polivalente

— Pode procurar na história, não tem um jogador que tenha jogado com a 2, 6, 7, 10. Só não joguei com a 1 porque o Jefferson era absurdo. E a 13 e a 17 era uma briga, com Herrera e Loco Abreu. Mas o restante conseguir jogar. Sempre procurei aprender a atuar em outras posições.

Briga pela camisa 13

— Não dava não. O homem é muito grande. Ele tem várias superstições, então a 13 não foi em vão.

Convívio com elenco de 2010

— Era maravilhoso. Não tenho nada para reclamar desde a minha chegada até o dia que eu saí. Na época que eu cheguei foi muito conturbada. Em 2009, tinha perdido o título para o Flamengo de novo, aí teve a zoeira do “chororô”. Eu sabia da responsabilidade, que eu ia participar de algo que não fiz parte. Foi isso que fizemos. O convívio era tão bom que o Loco Abreu sentava com Joel para discutir tática, como a gente poderia neutralizar o adversário, ganhar o jogo. Era tudo dentro de um respeito. A palavra final era do Joel.

Joel Santana tinha Somália como coringa no Botafogo. Foto: Fernando Soutello/AGIF

Goleada contra o Vasco

— O Eduardo (zagueiro) foi expulso com 15 minutos, se não me engano. O Coutinho nunca tinha feito um gol, Dodô… traíra Dodô (risos) fez gols. Foi um vexame. Na minha carreira toda nunca havia perdido com essa quantidade de gols. Foi bem decepcionante, porque o torcedor já vinha machucado. No vestiário, parecia que estávamos fora do campeonato.

Somália participou da goleada sofrida pelo Botafogo para o Vasco: 6 x 0, no Nilton Santos.

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Saída de Estevam Soares

— Ele que havia me levado para o Botafogo. Depois da goleada, demitiram ele e eu naturalmente fiquei sem chão porque não sabia quem poderia vir. Não tinha me firmado no Clube ainda. De repente, chega um cara (Joel) que foi meu salvador. Joel chegou e desde a primeira entrevista deixou o ambiente bem leve. Na conversa com a gente, porém, ele disse que de leve só tinha a entrevista. Lembro as palavras dele como se fosse hoje: “esse clube precisa resgatar muitas coisas e são vocês”. Tinha uma série de jogadores em lista de dispensa na época, o Joel não permitiu. Ele falou que ele queria ver, com os olhos dele, se os caras tinham condição de estar no Botafogo. Ele fez acontecer. 90% do que aconteceu naquele ano foi mérito dele.

Somália era um marcador implacável no Botafogo. Foto: Fotoarena

Anderson Barros

— Outro que era muito criticado e merece muitos elogios. Tinha vezes que ele estava com cara de sono nos treinos, preocupado como conseguiria levantar dinheiro para pagar os jogadores.

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Críticas da torcida a Anderson Barros

— O Anderson não gosta de dar entrevista. Gosta de trabalhar. Por isso as pessoas achavam que ele se omitia. No Clube há muitas divergências. O Jóbson, por exemplo, dava muito trabalho. O Anderson Barros conversava com ele. Anderson não tem nada de omisso.

O que faltou para ser campeão brasileiro em 2010?

— Precisaríamos de mais 2 ou 3 peças. Tivemos poucas contratações. A gente tinha muito volante na época. O orçamento do Botafogo naquele ano não era tão alto. Então tinha jogadores que vinham de clubes menores. Se tivesse uns dois caras que estivessem acostumados, como o Danilo, por exemplo, a títulos, brigaríamos até o final.

Clássico contra o Fluminense em 2010

— Jogamos com três volantes. O meio se não me engano era eu, Fahel e Leandro Guerreiro. E o Joel Santana perguntou: ‘como vamos fazer para marcar os caras no meio?’ O meia campo deles era Thiago Neves, Conca, Deco… como é que neutraliza? Até brinquei com Joel: se liberar o porte de arma aí, eu quero um (risos).

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Loco Abreu

— Lembro que uma vez, ele tinha acabado de chegar no Clube. Todo mundo fez o trabalho na academia e ele não foi no campo não. Aí um dos preparadores físicos foi chamá-lo e ele disse que não ia para o campo. Começou a fazer só membro superior, braço. E o preparador perguntou: ‘por que que você está fazendo membro superior’? Ele respondeu: ‘estou trabalhando braço para quando eu levantar a taça, verem que eu trabalhei, estou forte. O seu trabalho vai ser valorizado’. Ele falou para o preparador físico! Tá explicado por que era Loco, né? Ele tem o DNA vencedor.

Loco e Somália comemoram gol na final contra o Flamengo, em 2010. Foto: Fernando Soutello/AGIF

Foto: Wagner Meier / Fotoarena

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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