Aprovada por unanimidade para assumir a SAF em reunião com o Conselho Consultivo do Botafogo nesta segunda, 1, a GDA Luma encontrou resistência entre membros do conselho deliberativo.
Ex-presidente do Conselho Fiscal do Botafogo, André Souza lembrou que o Conselho Consultivo é apenas um órgão de apoio.
— Pelo art. 104 do Estatuto, o Conselho Consultivo é órgão de apoio aos Poderes do BOTAFOGO, composto por Grandes Beneméritos, Beneméritos, ex-Presidentes dos Conselhos Diretor e Deliberativo, podendo ainda contar com botafoguenses notórios convocados pelo Presidente do BOTAFOGO ou pelo Presidente do Conselho Deliberativo. Mas é fundamental deixar claro: o Conselho Consultivo não é órgão deliberativo. Suas manifestações têm natureza opinativa. Podem orientar, sugerir, recomendar ou aconselhar. Quem delibera oficialmente, nas matérias de sua competência estatutária, é o Conselho Deliberativo, regularmente convocado e reunido. Portanto, qualquer conclusão saída dessa reunião, ainda que relevante politicamente, não constitui deliberação oficial do Botafogo. É opinião. Não decisão institucional – escreveu no X, nesta terça, 2.
Outro membro do Conselho Deliberativo ouvido pelo Fogo na Rede endossou as críticas à reunião e chamou de “inadequado” o espaço escolhido pelo presidente João Paulo Magalhães para tratar o assunto.
— A discussão deveria estar sendo feita no Conselho Deliberativo, que está completamente à margem do processo – disse.
Indagado sobre o valor jurídico da decisão do Conselho Consultivo, foi taxativo.
— Vale menos do que uma nota de R$ 3,00 – resumiu.
GDA pode assumir SAF sem votação do Conselho Deliberativo
De fato, apesar da escolha unânime da GDA Luma pelos conselheiros presentes, a operação ainda depende dos próximos movimentos jurídicos e societários.
Há, porém, uma expectativa nos bastidores de que a entrada do fundo pode ocorrer sem necessidade de aprovação pelo Conselho Deliberativo do Botafogo.
Isso porque a GDA Luma poderia negociar diretamente com a Cork Gully, administradora responsável pela Eagle Bidco, atual detentora de 90% das ações da SAF.
Caso haja acordo entre as partes, a transferência acionária poderia ser concretizada sem uma nova votação interna. O clube associativo manteria apenas o poder de eventual veto.
Por isso, existe expectativa de que o processo avance rapidamente. Ainda não há prazo definido para um desfecho, mas dirigentes acreditam que a negociação pode evoluir nas próximas horas, dias ou semanas, dependendo do andamento das tratativas entre os envolvidos.
Enquanto isso, o Botafogo segue tentando encerrar definitivamente uma das fases mais turbulentas de sua história recente e definir quem comandará a SAF nos próximos anos.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.










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