Análise: O problema do Botafogo é técnico, mas não é Barroca

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Botafogo Barroca
Foto: Vitor Silva/Botafogo.
Botafogo Barroca
Foto: Vitor Silva/Botafogo.

Pode parecer paradoxal, mas não é. Apesar da derrota para o Internacional por 3 a 2, o Botafogo de Barroca demonstrou evolução no Beira-Rio. Graças, pura e simplesmente, ao técnico.

Se antes o time era criticado, com razão, pela lentidão na transição e pouca — ou nenhuma — efetividade no ataque, contra o Inter foi diferente.

Frente a uma equipe hoje muito superior em qualidade e opções, o Glorioso jogou de igual para igual. Perdeu por erros individuais — e inadmissíveis.

Muitas vezes previsível nas atuações, o Botafogo achou opções para crescer no segundo tempo contra o Internacional. Fernando na lateral com Marcinho na linha de frente e Diego Souza no meio mudaram a perspectiva do jogo. Méritos do treinador, que já havia revelado a possibilidade na coletiva antes da partida.

Recuar Diego Souza para o meio, no entanto, demanda utilizar outro centroavante. Vinicius Tanque, devolvido pelo Mafra, de Portugal, é a opção oferecida por Gustavo Noronha e Anderson Barros.

Clube mergulhado em dívidas

Apresentado em abril para o primeiro trabalho como técnico efetivo no profissional, Barroca desde então convive num ambiente de crise financeira evidente, com salários atrasados, insatisfação dos profissionais — com razão, diga-se — e carência de peças no elenco paupérrimo.

Desde que chegou ao Clube, Barroca perdeu Kieza (Fortaleza), Ferrareis (Avaí), Erik (Yokohama Marinos-JAP), Biro Biro e Jonathan (Almería-ESP). Chegaram Victor Rangel (CRB), Vinícius Tanque (Mafra-POR) e Marcos Vinícius, devolvido pela Chapecoense.

Asfixiado financeiramente, sem criatividade e capacidade para gerar novas receitas, o Clube não repõe as perdas e recorre à base, portanto, para preencher as muitas lacunas.

É preciso enxergar que o problema do Botafogo é técnico, mas não é BarrocaAs limitações do elenco são flagrantes e, não raro, constrangedoras. Por isso, o treinador não corre risco no cargo.

Vale lembrar: por muito menos, Fernando Diniz era elogiado no Fluminense. O ex-treinador do Tricolor tinha um trabalho de proposição de jogo — a exemplo de Barroca —, mas não conseguia transformá-lo em resultado.

Não obstante tamanha adversidade, o Botafogo é 10º colocado até o momento e está a nove pontos — ou três rodadas — de distância da Chapecoense, primeira equipe do Z4, grupo dos quatro últimos colocados do Brasileiro.

Queiramos ou não, a meta do Alvinegro na competição em 2019 é esta.

Alcançar uma vaga na Libertadores, em meio a todo o cenário crítico do Clube, é improvável — ainda que não impossível.

Por ora, faltam 23 pontos.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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