O Botafogo protocolou, nesta quarta, 24, um pedido de esclarecimento ao desembargador Luiz Eduardo Canabarro sobre a decisão que restituiu os direitos políticos de John Textor na SAF alvinegra e suspendeu os efeitos de deliberações do Tribunal Arbitral da FGV. A informação foi publicada pelo site GE.
Segundo a reportagem, o clube associativo argumenta que, mesmo com a suspensão das decisões arbitrais, o empresário norte-americano não poderia ser reconduzido automaticamente ao comando da SAF. Isso porque a empresa está atualmente em processo de recuperação judicial, com Eduardo Iglesias exercendo a função de gestor e interventor.
Na petição encaminhada ao desembargador, o Botafogo sustenta que a discussão sobre quem administra a SAF já teria sido superada por decisões posteriores da Justiça.
— Independentemente da correção, ou não, das decisões arbitrais, a discussão sobre a administração da SAF Botafogo já se encontra superada. Isso porque: (i) foram proferidas, nos autos da recuperação judicial, decisões posteriores às arbitrais, que determinaram a nomeação de um gestor judicial e a realização de uma nova AGE para ratificação da indicação (Doc. 02); e (ii) em cumprimento à determinação do MM. Juízo recuperacional, realizou-se AGE em 14.05.2026 (Doc. 03), na qual o Sr. Eduardo Iglesias foi indicado como novo administrador da SAF Botafogo – afirma trecho do documento.
De acordo com o GE, o associativo anexou uma linha do tempo detalhando todos os procedimentos judiciais relacionados ao caso. O entendimento do clube é que uma eventual volta de Textor à administração poderia provocar instabilidade nos bastidores em um momento considerado decisivo para o futuro da SAF.
Além disso, o Botafogo argumenta que o retorno do ex-controlador poderia impactar as negociações em andamento para a entrada de um novo investidor na sociedade.
Outro ponto destacado na manifestação enviada à Justiça é a situação financeira da SAF. O clube associa a atual crise econômica a atos praticados durante a gestão de Textor e cita movimentações financeiras realizadas para atender interesses do empresário norte-americano.
Segundo o documento, houve transferências de valores milionários relacionadas a operações que acabaram contribuindo para o agravamento da situação financeira do Alvinegro. Entre os exemplos citados está a dívida envolvendo Thiago Almada, que resultou em um dos transfer bans aplicados pela Fifa ao clube.
O pedido de esclarecimento ocorre poucos dias após a decisão que devolveu a Textor os direitos políticos na SAF do Botafogo. O caso segue em disputa judicial e representa um dos principais capítulos da batalha pelo controle da sociedade anônima do futebol alvinegra, enquanto o clube trabalha para concluir a negociação envolvendo a GDA Luma e avançar na recuperação financeira da SAF.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.






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