Em decisão nesta segunda, 22, a Justiça do Rio de Janeiro restabeleceu os direitos políticos de John Textor dentro da estrutura societária do clube.
Em processo que tramita sob segredo de Justiça, o desembargador Luiz Eduardo Canabarro determinou a suspensão, “até ulterior deliberação”, dos efeitos das decisões arbitrais que afastaram o empresário norte-americano da administração da SAF. A informação foi divulgada pelo ge.
Com a medida, Textor volta a integrar imediatamente os órgãos deliberativos dos quais havia sido excluído. Além disso, ficam suspensas as restrições que impediam o exercício de seus direitos políticos na SAF alvinegra.
A decisão representa uma reviravolta em uma disputa que se arrasta desde abril, quando o Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV) determinou o afastamento do empresário do comando da SAF do Glorioso.
No entanto, o entendimento do Botafogo associativo é diferente. Internamente, o clube considera que o despacho pode entrar em conflito com uma decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, no fim de maio, reconheceu o Tribunal Arbitral como foro competente para julgar o litígio envolvendo a SAF.
Pessoas próximas a Textor, por outro lado, sustentam que não existe incompatibilidade entre as decisões. A avaliação é de que, mesmo com o reconhecimento da competência do Tribunal Arbitral, os princípios do contraditório e da ampla defesa deveriam ter sido respeitados durante o processo.
Defesa de Textor se manifesta
Procurados pelo ge, os advogados Felipe Bresciani de Abreu Sampaio e Robert Guilherme da Silva Rodrigues Oliveira comentaram a decisão judicial.
— A decisão está em consonância com o art. 5º, XXXV e LV, da Constituição Federal, porque John Textor, apesar de não ser parte, foi demovido sumariamente da administração, sem que pudesse exercer o contraditório e a ampla defesa — afirmaram.
Disputa segue em andamento
Vale lembrar que o afastamento de Textor ocorreu no fim de abril, por determinação do Tribunal Arbitral da FGV. Desde então, a disputa pelo controle da SAF se intensificou e teve como principal desdobramento a assinatura de um acordo vinculante entre o Botafogo associativo e a GDA Luma, atual credora do clube, visando uma futura aquisição da SAF.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.






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