Otimista, advogado ligado a Botafogo S/A detalha projeto; veja

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Andre Chame Botafogo SA
Foto: Vítor Silva / Botafogo

Integrante do corpo jurídico da Botafogo S/A, o advogado André Chame esmiuçou o projeto em entrevista ao jornalista Fabiano Bandeira nesta quarta, 13. Chame disse que, apesar da pandemia, as conversas com investidores têm acontecido e são animadoras.

— O projeto foi bastante abalado com a questão da pandemia, porque tivemos que trabalhar novamente os números nestes 60 dias. As coisas pararam no Brasil e no mundo. Os investidores pararam para analisar o cenário. No entanto, nas últimas duas semanas retomamos conversas com interessados e foram animadoras.

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Liderado por três renomados escritórios de advocacia, a Botafogo S/A tem grandes desafios jurídicos, segundo André Chame.

— Trabalhamos para dar segurança jurídica para todos que estão envolvidos no processo: credores, clube e investidores. Para o Clube, é preciso que o futebol saia disso mais forte do que é. Para os investidores, que o investimento tenha retorno e haja segurança. Não adianta montar uma estrutura de cessão por 30 anos e que no quarto ano, por exemplo, alguém tente anular esses direitos. Para os credores, receber seus créditos. Os desafios são esses: dar conforto a esses três pilares.

Veja mais trechos da entrevista:

Papel da imprensa durante o processo

— Os clubes perderam a capacidade de resolver suas dívidas. O que nós estamos fazendo é, com muita responsabilidade, reconhecer isso e negociar. Não há nada tão responsável hoje no Brasil. O projeto está sendo apresentado para pessoas de primeira linha a nível mundial. As pessoas que olham para o projeto se impressionam. Não existe essa história de calote. De maneira nenhuma. O Botafogo pretende pagar seus credores da maneira que for possível. Temos um passível de um bilhão x um faturamento de R$ 180 milhões. Se o Botafogo não tivesse nenhuma despesa, levaria uns 6 anos para pagar. E sabemos das despesas dos clubes. A imprensa tem um papel importante no esclarecimento. As pessoas elogiam e criticam sem conhecimento.

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Corpo jurídico

— O time é botafoguense. É uma feliz coincidência. Além disso, são pessoas de primeira linha no Direito do Rio e do Brasil. Nós temos junto conosco o Marcelo Trindade, Chico Mussnich. Além de mim, trabalhando na reestruturação da dívida. São três escritórios, grandes botafoguenses, os nomes falam por si. Temos o que há de melhor em termos de estrutura jurídica.

Andre Chame Botafogo S/A
André Chame faz parte do corpo jurídico da Botafogo S/A. Foto: Vítor Silva / Botafogo

Dívida do Botafogo

— De fato, quando você entra no processo, você se assusta. A gente tinha lá contigências fora de balanço, em torno de R$ 200 milhões. Temos um grande credor que é o fisco. Além de grandes credores trabalhistas e cíveis, ex-funcionários do Clube. E cada dia surge alguém novo no esconderijo. É desafiador. Não dá para fazer uma programação de receitas.

Prazo

— Difícil dar prazo. Precisamos que os investidores venham firmes no projeto. Estamos trabalhado para que seja o quanto antes. Tivemos que fazer um novo estudo dada a pandemia, já que o Clube não está faturando. Precisamos redimensionar o projeto, receitas, despesas, para que possamos apresentar investidores que já estavam conversando com a gente para que os números sejam palatáveis.

Cotas de investimento

— Temos a possibilidade de termos um grande investidor ou isso pode vir do esforço de pequenos e médios investidores. Vai depender de como as coisas vão caminhar a partir de agora. Há interesse de grandes, pequenos e médios investidores.

Contrapartida

— O investidor precisa se comprometer com a parte esportiva, não apenas financeira. Num primeiro momento, teremos um time digno. Serão anos difíceis. Depois de 2021 em diante, é justo que tenhamos uma expectativa de voos mais altos. Isso tudo baseado em estatísticas.

Riscos da Botafogo S/A

— Pode não acontecer. A gente precisa resolver dois pontos. O pilar do Clube, a gente está caminhando bem. Agora a gente precisa que os credores entendam e os investidores. Posso conseguir o investidor e o credor não concordar. Existe um risco. Estamos trabalhando para que isso não aconteça.

Fundo árabe

— Diversos fundos olharam. Esses fundos investem em futebol no mundo inteiro. Não vejo porque o Botafogo tenha que se preocupar com isso. Temos que nos preocupar com que o dono do dinheiro tenha compromisso esportivo com o Clube. Evidente que estamos levando todos os cuidados porque não queremos dinheiro fruto de corrupção, lavagem de dinheiro.

Montante inicial necessário

— Precisamos em torno de U$ 50 milhões (cerca de R$ 300 milhões) mais ou menos para começar a Botafogo S/A. Parte para pagamento a credores, parte para investimento no Clube.

Nilton Santos

— A concessão continua com a Companhia Botafogo, que é um embrião de clube-empresa e foi quem ganhou o Estádio. A ideia não é transferir para Botafogo S/A, mas a empresa vai usar com um contrato robusto. A ideia é manter o estádio Nilton Santos, a casa do Botafogo. O estádio sempre uma questão porque é caro, mas sinceramente não acredito que investidores queiram se desfazer dele. O estádio foi sede de fechamento de Olimpíada.

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Oportunidade com dólar alto

— É verdade que o investimento ficou menor em dólar. Mas o retorno, a rentabilidade também ficou menor. A não ser que ele faça uma gestão que multiplique. Hoje, para o investidor menor ficou mais interessante. Ficou mais barato. Mais gente está olhando o produto.

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Botafogo e Santos

— Ainda são os clubes com maior projeção internacional. Eu fui na Copa da Rússia. Quando cheguei para pegar meu ingresso, vi um sujeito com toda pinta de gringo com a camisa do Botafogo. Um alemão. Ele estava indo a um jogo da seleção brasileira com a camisa do Botafogo. Conhecia toda história do Botafogo, louco pelo Garrincha.

Marca Botafogo

— A gente consegue mostrar aos investidores que como nossa participação é nacional e internacional, a oportunidade é muito maior. Uma torcida muito limitada a um estado dificulta. Nós temos mostrado isso. O Botafogo é um clube de torcida no país inteiro.

Investimento na base

— A gente prevê um incremento muito grande nas divisões de base. O Botafogo hoje é o clube que menos investe na base do Rio. Contamos com o CT no projeto.

Shopping e Casarão da Dona Teresinha

— Esses dois projetos ficam com o Clube Social, que precisa sobreviver. Quando a gente não traz o shopping, a ideia é que essa receita fique para viabilizar o Clube. Não faria sentido para o investidor, que não é um player do setor imobiliário, mas sim do setor de entretenimento. Nós queremos duas instituições saudáveis: S/A e Clube.

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Experiência Figueirense

— Queremos afastar qualquer tipo de aventura no Botafogo. Os contratos não vão permitir, tampouco as pessoas que estão tocando. Acreditamos numa história bem diferente da do Figueirense. O RedBull não é um bom parceiro, porque o negócio dele é divulgar a marca. É um caso diferente. Temos que fazer nossa experiência que ela seja a melhor possível.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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